Santo tempo!

Ah… O tempo!
Parece que ele brinca comigo, me impossibilitando de realizar várias coisas no meu dia.
Ou será apenas eu, atrapalhada, que não consigo administrá-lo?
Não sei, não sei…

Ah… O tempo!
Só sei que é por causa dele que não consigo entrar aqui, postar meus textos, meus rabiscos,
Escritos a pressa, no trabalho, na aula, no curso!
Por causa dele eu deixo de fazer coisas que gostaria e vivo agregada apenas à rotina!

Ah, santo tempo!
Me permita, por favor, fazer-lhe as honrarias,
De passar mais umas horas do meu dia contigo
E viver, assim, com mais alegria.

Sei que estou sem postar aqui, mas não abandonei o blog, não, rs. Só to sem tempo mesmo.

Rotina

Você abre os olhos cansada, imaginando mais um dia duro de trabalho. O seu marido já se levantou, tomou um banho e está terminando de tomar café. Mal você aparece, ele já abre um sorriso amarelo, rápido. Você olha as horas. Apenas 07:15 e ele já está pronto. Você, por um nanosegundo, inveja-o, mas lembra que deve estar no escritório de advocacia às 08:30. Uma surpresa boa: mensagem do chefe… Apressada, vai logo ver o que é: Oba, folga! Imediatamente relaxa e corre para o marido para contar a boa nova. Mal ele lhe escuta, dá-lhe um beijo e sai apressado. Um pouco decepcionada você chega ao seu quarto. Deita e segura as lágrimas para não chorar. Acende um cigarro – ops, você sabe que ele odeia que você faça isso no quarto, mas ele não está em casa. Começa a devanear sobre sua vida de casados, 3 anos, já, nenhum filho… Nada.

Agora lembra-se dos anos dourados do namoro. Ele era quente, sexy. Tinha uma pegada que lhe deixava louca. Sem resistência, você se entregava, o sexo diário era garantido. Beijos, abraços, carícias… Eles não tinham lugar para acontecer. Era tudo muito selvagem, louco. Você ia às nuvens com aquele homem, tão viril, tão másculo. Aos poucos volta a realidade e… Segunda decepção do dia: seu marido já não é tão selvagem – e você simplesmente não entende o porquê. Muitas vezes, masturba-se escondida, imaginando que um dia ele a pegue em pleno ato. Você grita desesperada por dentro, querendo mostrar a ele – implicitamente – o quanto você sente falta do seu homem.

Infelizmente, ele parece não ligar. Quantas vezes já conversaram? Em vão… Enfim, você se resigna com a situação, aceita o sexo mais ou menos dele. Mas percebe que falta algo. Talvez, só talvez, as brigas pós lua-de-mel tenham estragado o clima selvagem entre vocês dois. Você suspira profundamente… Lá fora você vê muitos pássaros voando… Vai chover? Pega-se pensando em quantas vezes já pensou em terminar tudo, mas só por sexo? Afinal, valerá a pena? Você sente uma enorme vontade de gritar e terminar tudo, dizer que ele é incapaz. Um relâmpago de pensamento passa por sua mente e você parece enxergar ele nos braços de outra, muito, mas muito mais gostosa que você. Suspiros.

Você se levanta assustada e percebe que dormiu demais. Vê o cigarro no fim mas ainda aceso, tenta ver que horas são. No seu celular, duas mensagens dele dizendo que vai chegar para o almoço. Um salto da cama e você está na cozinha. “Está em cima da hora, dormi demais!” pensa. Rapidamente prepara alguma coisinha para comerem enquanto o prato principal fica pronto.

São 12:34 e ele ainda não chegou. A mesa, bem posta, está linda e decorada. Você até se arrumou, com esperanças. Passam-se 3 minutos. Olha no relógio, ansiosa, e ouve um barulho de chaves. Vê o marido entrando e percebe o que ele traz para você: seus doces preferidos. Imediatamente, enquanto ele avança para chegar perto de você – agora sem o sorriso amarelo: ele está carinhoso, quente –  percebe porque ainda não terminou com ele, mesmo o sexo sendo mais ou menos. Percebe que, todos os pensamentos no momento de reflexão caracterizavam uma mulher carente, sim, mas que pode sobreviver a estes poréns para viver esse amor.

Ele toca seu rosto, você enrubesce. “Olá, querida.” “Olá.”
Você aproveita o momento e tirá-lhe o casaco, convidando-o para almoçar. Mais tarde, ele dispensa o serviço e juntos vão tomar um banho relaxante, falar da vida e, quem sabe, fazer um bom e merecido sexo.

Thamires Coelho