Escolhas

Então, finalmente, eu tive a opção de escolher algo para minha vida: a data do vestibular coincidira com a dos exames finais do meu colégio, assim, eu tive que escolher. Eu tive que escolher, mas naturalmente não foi o mais sensato, não foi o mais correto ou o mais esperado por todos.

Fonte: Weheartit.com

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Eu decidi fazer o vestibular. Deixei os exames para trás, acreditando nas palavras do advogado amigo de meu pai, e fui para Porto Alegre realizar o vestibular da UFRGS. Foram quatro longos dias. Mas, quer saber? Valeu a pena! Valeu a pena, pois eu estava fazendo algo que eu queria, algo que eu deveria fazer. Ora, eu havia sido privada de fazer os outros exames, por uma série de justificativas meia-boca e cheias de mimimi, e estava, sim, pouco me importando para os professores.

Fui até Porto Alegre, realizei o Concurso Vestibular para a universidade e, ansiosa, aguardei o listão. No dia, a internet móvel mal funcionava direito e eu, nervosa, havia recém chegado da praia. Meus pais, cheios de expectativa e esperança — afinal, eu havia deixado para trás o Ensino Médio — haviam até programado algo especial para a noite, caso tudo ocorresse como o esperado…

… Mas, surpresa! Meu nome não estava no listão. E o meu nome não estar no listão não significava que eu havia apenas rodado na UFRGS, mas significava também que eu havia desperdiçado grande energia e tempo em algo propício ao meu fracasso. Lamentável. Todos deveriam ter me olhado como uma fracassada, como uma pessoa inconsequente, irresponsável, totalmente insana.

Entretanto, não passar nesse vestibular me fez enxergar algo. Me fez ver que talvez minhas atitudes foram erradas, que me arrisquei demais, mas que, acima de tudo, eu deveria ter feito isso. Afinal, um Instituto Federal (que é onde eu faço o Ensino Médio e o Técnico) não deveria me privar de fazer um Concurso Vestibular, que também é de uma instituição federal. Me fez ver que eu fui corajosa, que tentar é necessário, que acreditar é preciso. Eu me reinventei. Eu provei coisas que muitos, até que me julgaram, não seriam capaz de provar. Foi inovador. Foi inspirador. Como o 2014 que eu esperava… Cheio de atitudes e menos mimimis.

Eu estou feliz. Eu perdi o vestibular e — talvez, ainda não sei — o Ensino Médio. De qualquer maneira, estou íntegra. Me sinto bem comigo mesma e não vou chorar por isso. Algumas pessoas me estranham e me olham torto, mas é que elas não perceberam, ainda, que escolher entre alguma coisa e outra te dá uma liberdade tão grande em relação a sua própria vida que nem podem imaginar. Pois é.

A vida é feita de escolhas.